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Todos os dias, a caminho do trabalho, tenho atravessado a Galeria do Rock, espetada (com trocadilho) bem no centro de São Paulo, e avistado os mais variados tipos de cultuadores dos piercings e alargadores, aquelas rodelas que se aplicam nos furos das orelhas para aumentá-los gradualmente até chegar a diâmetros surpreendentes

Está certo que às 9 da manhã não é tão fácil dar de cara com os tipos mais bizarros, que devem levantar da cama mais perto do meio-dia. Os que tenho visto com mais frequência são os vendedores das lojas, um pouco mais discretos, mas dá para ter uma idéia da dimensão dos buracos nas orelhas, tipos de piercing e alargadores existentes por aí.

Não sou nenhuma velha careta, não tenho nada contra o piercing e o tal alargador, mas me chamou atenção uma reportagem publicada um tempo atrás pelo Estado de S. Paulo, informando sobre efeitos colaterais do adereço e os cuidados necessários para minimizar os riscos de infecção. 

 
Dizia a reportagem que uma pesquisa britânica apontou que 15% dos jovens que usam piercing procuram um serviço médico por não agüentar a dor, inchaço ou febre. E desses, há ainda uma parcela que chega a precisar de internação para tratamento. Uma infecção na língua, por exemplo, pode causar até mesmo uma infecção do tecido cardíaco se as bactérias se proliferarem e entrarem na corrente sanguínea.

 
Mas o piercing e o alargador não são nada perto das chamadas escarificações e suspensões. Para quem nunca ouviu falar, escarificação vem do inglês "scar" (cicatriz), ou seja, desenhos feitos na pele com bisturi dão origem a dolorosos desenhos, que se transformam em verdadeiras cicatrizes artísticas. Já nos rituais de suspensão, o sujeito é literalmente suspenso por ganhos (pelas pernas, ombros, costas). Esse ritual de dor extrema, dizem os praticantes, leva a uma estranha sensação de prazer.


O que me surpreende é constatar até onde o ser humano consegue suportar uma dor terrível e mesmo expor-se a infecções em nome da estética e do prazer em sentir esta dor. Superação de limites? Exibicionismo? Masoquismo? Talvez um pouco de tudo isso, coisas da mente humana que ninguém consegue explicar.

 P.S.: Para quem não me conhece, apresento-me: sou Renata Melo, jornalista, e fui convidada pelo Dr. Edson Miyahara a colaborar com este blog.

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